❝Eu quase amei a forma como tu mentias,
limpando os pés ao meu sorriso.
E é claro que achas que eu não presto,
é claro que achas que eu não sirvo.
Eu quase amei a forma como tu me vias,
logo eu amo outra pessoa.
E não me importa se eu não presto,
eu tenho planos para lá de mim.
Tu és só o que eu te empresto.
Foi no teu amor que algo se perdeu, não no meu.❞
Airbag
A finitude das coisas aborrece-me: especialmente se for a finitude das minhas estimas momentâneas. Confronto-me com o desapego, com mais frequência do que desejaria. Será por desenvolver paixões tão intensas, que se assemelham a obsessões ligeiramente insalubres, que obstruem o pensamento, sendo estas tão fervorosas, demasiado fervorosas, que passado o seu período de êxtase, têm que se moderar, tornar-se insensíveis? Não é justo, para uma pessoa como eu, repleta de emoção e atulhada de afeto, que tem que ser expulso.
Estou expectante e otimista.
Ao mesmo tempo, estou receosa.
Luto para que não esmoreça aquilo em que me empenho (que me mantém entretida?) hoje, que me desafia e que me submete a avançar e a fantasiar.
Estou expectante e otimista.
Ao mesmo tempo, estou receosa.
Luto para que não esmoreça aquilo em que me empenho (que me mantém entretida?) hoje, que me desafia e que me submete a avançar e a fantasiar.
Sejam bem-vindos à dimensão do "estar bem"
Já quase que me esqueço de todo o meu longo percurso, de relevo bem acidentado, fortificado com rochedos bicudos e rios com correntes atrozes, que maioritariamente atravessei com decisão e determinação (tendo, outras vezes, apenas me deixado levar pelas águas ligeiras), até atingir a planície insípida em que me encontro hoje.
É com desgosto que me revelo, em contraposição ao meu acostumado ser, inimiga da estabilidade (ou, pelo menos, assim entendo a minha descontentação com a situação em que estou). Em toda a minha vida me julguei fã de um amor rotineiro, sem alternâncias de sentimento, apenas com pequenos sobressaltos que salvam o dia-a-dia insonso. Pois bem, estes meus dias me haverão tirado desta minha conceção.
Habituei-me, como resultado do que se tem sucedido, a viver numa inconstância que acreditava ser insuportável, num mar de ondas que ora vinham, ora se sumiam. Numa alternância de sentimentos que se abatiam sobre mim, deixando-me, no fundo, mais desperta, com todas as sensibilidades à flor da pele. Percebo agora que me acostumei a tal estilo de vida. Afeiçoei-me ao meu coração arrebatado, aos meus pulmões ardentes, ao sangue que fervia ao deslocar-se velozmente, rebentando as veias, rasgando a pele, torcendo os músculos. Agora, deixando de fazer o papel da parte mais fraca, com o justo equilíbrio de uma relação, vivo num ambiente eternamente amenizado e acanhado. Vivo numa dormência, que ocupa o suposto lugar da saúde. Outrora desperta, agora adormecida.
A questão é, será que é só para agora, neste amor que já se apresentou em tantas variantes, ou será com tudo e todos os que vierem. Custa-me aceitar este desvanecimento do meu apreço por um amor eternamente aceso e homogéneo, livre de quaisquer paixões efémeras e imaturas.
É com desgosto que me revelo, em contraposição ao meu acostumado ser, inimiga da estabilidade (ou, pelo menos, assim entendo a minha descontentação com a situação em que estou). Em toda a minha vida me julguei fã de um amor rotineiro, sem alternâncias de sentimento, apenas com pequenos sobressaltos que salvam o dia-a-dia insonso. Pois bem, estes meus dias me haverão tirado desta minha conceção.
Habituei-me, como resultado do que se tem sucedido, a viver numa inconstância que acreditava ser insuportável, num mar de ondas que ora vinham, ora se sumiam. Numa alternância de sentimentos que se abatiam sobre mim, deixando-me, no fundo, mais desperta, com todas as sensibilidades à flor da pele. Percebo agora que me acostumei a tal estilo de vida. Afeiçoei-me ao meu coração arrebatado, aos meus pulmões ardentes, ao sangue que fervia ao deslocar-se velozmente, rebentando as veias, rasgando a pele, torcendo os músculos. Agora, deixando de fazer o papel da parte mais fraca, com o justo equilíbrio de uma relação, vivo num ambiente eternamente amenizado e acanhado. Vivo numa dormência, que ocupa o suposto lugar da saúde. Outrora desperta, agora adormecida.
A questão é, será que é só para agora, neste amor que já se apresentou em tantas variantes, ou será com tudo e todos os que vierem. Custa-me aceitar este desvanecimento do meu apreço por um amor eternamente aceso e homogéneo, livre de quaisquer paixões efémeras e imaturas.
Talvez seja só eu, seduzida pela vontade de experimentar algo novo, farta da anestesia em que me encontro, enlevada pelos devaneios alimentados durante a noite, procurando a frescura de inesperadas identidades.
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