Tudo o que é demais, traz sarilhos. Amo-te demais.


     Talvez devesse encontrar alguém a quem não me sinta obrigada a dar tudo de mim, como se hoje não fosse parar a amanhã; obrigada a concretizar tudo o que está ao meu alcance para o ver satisfeito e, acima de tudo, empenhado em mim, porque no fundo, nestes casos extremos, o amor passa a ser tudo aquilo que existe e nada mais importa, não passa de um acto egoísta da minha parte.

     Talvez devesse procurar alguém que possa amar, mas não assim tanto, o que, mesmo assim, resultaria num grande amor. Um amor mais equilibrado e não tão intrinsecamente vincado na minha pele, e que já deixou de ser do domínio da minha pele para passar a invadir o meu coração, o último e derradeiro a ceder.
Já é tarde demais para o salvar, o amor não tem cura.

Relevo acentuado

     O pior é que a minha pele polida contra o teu corpo aguçado, mesmo jogando com ofensivas ameaças, é como uma branda brisa de primavera: não acusa os teus intocáveis sentidos que já pouco se apercebem das ínfimas partículas que se fazem libertar do meu rosto desbotado, que me fazem perder todas as minhas saliências, e tanto que as estimava. Sempre que o Sol nasce após de uma longa e tenebrosa escuridão, em que as discórdias falam mais alto que o afecto.

     E quem me dera que sentisses a minha falta, mesmo que da minha aparência gradualmente mais polida e desgastada, daquilo que não me contentas.
Pela manhã, anseio pelo dia em que virei brilho e saciação nos teus olhos, apenas por me teres junto a  ti.
                                                                                                                                                                                       

Adeus Tristeza

Adeus Tristeza, até depois!
Quando souber pronunciar-me a cerca da felicidade, aqui virei.