Mais um dia, e continuo a sentir a ávida falta de pessoas, pessoas e gentes, perto de mim, comigo.
Quanto mais a procura é pertinaz, mais me apercebo daqueles (será melhor dizer "daquilo"?) que me rodeiam; cada vez me encontro mais com pessoas sem essência ou qualquer definição singular, apenas corpos, indivíduos, vestidos daquilo que os rodeia (mais almas semelhantes e perdidas) e do que conseguem absorver, e nem assim o alcançam devidamente, ricos em limitações. A sua presença sufoca-me a alma e retrai-me os músculos, deixando-me perplexa e incapaz de me mexer, até inibindo a minha própria essência, reservando-a quase unicamente a mim e aos meus. Pois justamente o que eu queria era que ela voasse solta e alto, e que atingisse novos horizontes, sejam esses gente fresca e genuína.
E a minha maior ambição era encontrar sobreviventes, espíritos ocultos, desta nova era de presenças artificiais que já me gastaram todo o enorme tacto que possuía.
