De entre todos os sentimentos que já me despoletaste, apenas aqueles que me comprazem a alma prevalecem, comigo, a relembrar-me o teu valor.
É aquele deleite que me percorre a pele e que a aquece, num doce arrepio. É aquele inchaço do meu coração, que preenche o espaço que habitualmente o comprime e o enclausura, passando este de engelhado a balão vivaz. É a pesquisa obstinada que os meus olhos executam e que depois, quando bem sucedidos, emitem um sinal aos meus lábios, que se desfazem num sorriso desmedido. É por todas estas reações e muitas outras que me convenço do quanto gosto de ti.
Antes, como representação da minha mente apaixonada, era o meu corpo quem te procurava; dominava a minha vontade de ti, resumindo-se tudo de tal forma a esse apetecer carnal, que me ia esquecendo das imensas outras sensações e emoções que já me ocasionaste.
Pois agora, perfeitamente alheia a esses caprichos inevitáveis, foco-me na felicidade que me ofereces quando me olhas daquela maneira tão suave e tão terna. (afinal!) Sei tão bem que te amo.
Inspira. Expira. Cerra os lábios. Chama-a pelo nome. Diz-lhe que, reminiscências à parte, a vida faz-se do presente e enquanto esse não renascer, o passado corre o risco de morrer afogado ante as cordas partidas do cais de onde partiste. Não sei se morreste afogada ou se simplesmente chegaste a bom porto, pois que o dele nunca foi senão um poço de tempestades que pouco podias suportar. O peso de um mundo que é complexo, que é dele, que se prendia por cordões ao teu corpo, lascava as tuas costas e brandia-te. Desnorteada, levava-te para o triste fado da incompreensão que, de ti sobre ele, sobre o seu mundo, não era senão chicotes de cabedal e camurça sobre o seu peito a sangrar. Enfim. Que partas, perdoada, mas não esquecida, para o cais que te dê alimento de paz e segurança que o dele é vento de mudança, mundo e universo ao mesmo tempo e não são, decerto, terras para senhoras vaguearem por muito tempo. Inspira. Expira.
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