Tudo o que é demais, traz sarilhos. Amo-te demais.


     Talvez devesse encontrar alguém a quem não me sinta obrigada a dar tudo de mim, como se hoje não fosse parar a amanhã; obrigada a concretizar tudo o que está ao meu alcance para o ver satisfeito e, acima de tudo, empenhado em mim, porque no fundo, nestes casos extremos, o amor passa a ser tudo aquilo que existe e nada mais importa, não passa de um acto egoísta da minha parte.

     Talvez devesse procurar alguém que possa amar, mas não assim tanto, o que, mesmo assim, resultaria num grande amor. Um amor mais equilibrado e não tão intrinsecamente vincado na minha pele, e que já deixou de ser do domínio da minha pele para passar a invadir o meu coração, o último e derradeiro a ceder.
Já é tarde demais para o salvar, o amor não tem cura.

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