Sinto a tua falta

Esta noite, no intervalo de uma contemplação pensativa da suave penumbra que se deixava escorregar pela claridade do dia primaveril que se fez sentir, os meus gastos olhos lembraram-se de ti. Não creio ter sido pela sua frágil condição.
Um pedido de desculpas era tudo quanto te devia e foi tudo quanto te pude dar.
Por tal pobreza, perdoa-me escolher a hipótese de, por fim, poder viver uma agradável representação do que poderá ser o amor, de um Universo de hipóteses em que a tua angústia estaria presente e bem erguida em todas elas.
Perdoa-me por ter escolhido o amor defronte de outro mais ligeiro e naturalmente mais saudável, por falhar neste encargo de sobrevalorizar a amizade: o amor mora no meu coração e corre-me nas veias; o pior, temo não ser a única.
Num mar de falhanços, perdoa-me agora por não conseguir faltar à aventura, por obedecer tão estritamente a quem me impõe um desafio, pelas raras ocasiões em que estes comigo se cruzam.
 Perdoa-me por tudo isto, que eu te perdoarei o resto. Dou por mim vezes sem conta a divagar sobre este assunto. Sinto a tua falta.


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