Torna-se difícl de crer que, depois de tudo isto, tudo o que já passei e, aparentemente, tinha já ultrapassado, esteja novamente e inacreditavelmente a emergir. Faz-me lembrar um ciclo vicioso do qual nunca me poderei ver livre.
Sim, hoje tenho medo, hoje voltei a tornar-me no vulto, porque hoje observo-me apenas como um vulto, sem definições ou conteúdo, naquele vulto que antes fui, vulnerável e dorido que sofre do receio que, no entanto, nem sequer precisa de ter razões para a sua existência. Só gostaria de vomitar esta pessoa desconhecida, porque não creio que esta seja eu, vomitá-la e abandoná-la, por aí, no chão sujo de uma qualquer rua escura e pouco percorrida.
Sinto-me revoltada, é a palavra certa. Porque tenho eu que ser a metade (e sendo uma metade) inferior e deficiente? Como se não tivesse o poder de decidir, escolher, optar. Simplesmente tenho que me limitar a seguir o que a outra metade, predominante e influente, ordena, e quer para si. Porque a única coisa que a metade mais pequena quer, o que eu quero, é ser inteira e completa. Sendo assim, estarei eternamente disposta a ser completada, disposta a formar um conjunto, sempre que a outra metade quiser regressar, depois de me ter deixado. Não é justo, mas terá que ser assim, se quero uma vitória.

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