E sabes que mais?

     Já consegui ultrapassar uma metade daquilo que se passou connosco. Já consigo olhar para trás e observar o meu sofrimento insuportável sem que ele volte a invadir a minha sanidade mental. Deixou de ser uma memória proíbida, transformou-se, como é a sua metamorfose habitual, numa experiência de vida, isenta de dor, apenas presente para enriquecer a nossa pessoa, que se vai moldelando através das mesmas.
     Já não sinto tua falta como dantes, extrema e exageradamente, o que não significa que, num ou noutro dia menos bom, não sinta saudades da tua presença infinita, de todos os bons momentos que gozámos, dos nossos tempos imaturos. Mas é isso mesmo que eles são, imaturos. Não voltaria atrás para vivê-los de novo. Aliás, sinto-os totalmente distantes daquilo que sou agora, da minha nova forma de vida, recordo-os como um sonho, longe longe da realidade. Como se tivesse vivido presa na escuridão. Oh, não voltaria para esse lado, tão perfeito mas ao mesmo tempo tão superficial e sensível.
     Pois bem, cresci, é a conclusão que retiro. Adaptei-me ao que me foi impigido, criando uma nova perspectiva do meu Mundo, onde tu coexistes, mas não com o irrealismo vivido um passo ao lado.

     A outra metade, bem mais complexa e entranhada, terá que ser ultrapassada com o tempo, com a repetição, com o hábito, conforme satisfizeres a minha vontade!

1 comentário:

  1. "Adaptei-me ao que me foi impigido, criando uma nova perspectiva do meu Mundo, onde tu coexistes, mas não com o irrealismo vivido um passo ao lado"

    eu devoro o que tu escreves, sofia, não sei que mais te diga*

    ResponderEliminar