"Gostas dele?"
Obviamente, não.

"E ele de ti?"
Também não, claramente. De facto, ele nem conhece, nem sequer ouvir falar da palavra amor no seu forte e intenso, real sentido. Não é para o desvalorizar, nem nada que se pareça, mas talvez ele nunca se tenha aprontado, disponibilizado para o descobrir. Cabe a cada pessoa, cada um demorando o tempo que lhe for necessário, encontrar o seu amor interior, e dificilmente será à primeira tentativa que se obtém.

"E tu, já encontraste esse teu amor interior, de que falas?"
Oh, e se não encontrei... Sou realista, a sério que o sou. Mas o amor levou-me para caminhos fora do meu realismo, outrora absoluto. Assim se pode afirmar que, por momentos, e que longos foram esses momentos, os meus pés voaram do chão, deixaram-me sonhar bem alto, nas esperanças que ele não me cansava de prometer. Parecia indestrutível e inquebrável. Revelei-me uma pessoa completamente dependente do amor que habitava dentro de mim e dentro dele, do amor que pairava no nosso campo gravitacional. Resumindo, ele era tudo. Tudo o que os meus olhos atingiam. O amor era tudo.

"Falas no passado..."
É complicado. Ainda estou no processo de compreender o que nos aconteceu, contudo, já tenho as minhas teorias. A minha opinião, falta de maturidade, no que se refere à capacidade de amar, como é claro. Eu, como disse, descobri o que era o amor, em tudo o que ele tem de fascinante, mas ele, apenas desvendou a paixão. A paixão pode não ser eterna, contrariamente ao amor. O amor nunca acaba, o amor dorme. Poderá hibernar para sempre, ficando guardado no inconsciente, se não for reacendido, é verdade. A fonte de ignição do amor é a paixão, mas não é em todos os casos que ela nos leva ao mundo que é o Amor; pode apenas mostrar-nos uma pontinha, como se uma amostra de um perfume, deste enorme conceito. Bem, o que se passou foi que, ao contrário de mim, ele não perfurou todas as barreiras da paixão, como consequência, ela desmoronou. Reconheço que ele precise de tempo para descobrir, primeiro que tudo, que estava apenas apaixonado por mim e que não me amou. Depois, ele crescerá e amadurecerá. Muitas vezes, é preciso um gigante salto dentro de nós para que entendamos o que é isto de amar.
Um certo sentimento que espreita de vez em quando, de cá de dentro, diz-me que não será um Adeus, mas sim um Até Logo.

"E o outro, o primeiro, porque estás com ele?"
Porque sim. Porque sim e porque é melhor assim, para mim. Essencialmente estou com ele, porque sei, acima de tudo, o que posso esperar de uma pessoa como ele, nunca vou cair no erro da ilusão. Depois de tanto tempo com alguém constantemente ao meu lado, em todos os aspectos, é bastante difícil deixar-me entregue apenas a mim própria. Preciso de expulsar o meu afecto, de qualquer modo, é isso que pretendo. E sei que ele nunca gostará de mim, de forma a que eu o possa ofender. Como já referi, ele ainda não sabe nada da paixão, nem tão pouco do amor. Preciso de me ocupar, de me distrair. Poderei passar por egoísta, mas defendo-me com o facto de ele saber bem quais as minhas intenções, pois eu mesma fiz questão de não o esconder. Devo-lhe um grande Obrigada, foi tudo muito mais simples com ele. Nos momentos mais desgastantes pude imaginar, e apenas imaginar, nele a minha solução. Apesar de agora não ser assim tão fácil (ele não chega a ser metade do interessante, muito menos fascinante), obrigada meu Porto de Abrigo, muito obrigada!

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